acordei, mas não queria abrir os olhos.
estava cansado.
mais cansado do que o habitual.
meu corpo doía e eu sentia meu rosto inchado.
“maldito jimmy! aquele rato! na próxima vez eu acabarei com ele... filho da puta.”
falei baixo, quase sussurrando, mas ainda sim eu sentia minha garganta arranhar.
engoli.
senti sangue.
estava bebendo sangue.
comecei, mentalmente, a procurar os lugares onde a dor era mais forte. queria ver se tinha quebrado alguma coisa. meu tornozelo estava me matando, mas acho que não o tinha quebrado. só deslocado ou só torcido. não importa. aquela porra doía.
meus braços também doíam, meu estomago estava retorcido, minha cabeça explodia e meu bafo era uma mistura de sangue, cigarros, uísque e vomito. estava com fome e com vontade de vomitar. lembrei-me de sandy me oferecendo um hambúrguer. droga! devia ter aceitado. mas naquela hora eu não sentia fome e não tinha a menor ideia de que jimmy estava me preparando uma emboscada. aquele filho da puta! foi muita covardia dele ter vindo com quatro pra cima de mim. jimmy era um puto covarde e quando eu for acabar com ele, não vou ser covarde. mano a mano. e vou deixar aquele rostinho fodido mais fodido ainda.
precisava mijar.
respirei fundo.
sentei.
apoiei-me na cadeira que tinha do lado da cama.
respirei fundo.
levantei.
comecei a tossir sangue.
cuspi.
apoiei na parede e fui pulando em um pé só.
“maldito tornozelo!”
cheguei ao banheiro.
olhei-me no espelho.
estava totalmente e completamente fodido.
sorri.
três dentes haviam sumido.