hoje foi um dia duro. várias merdas aconteceram e você me decepcionou. não quero falar... só quero que tudo pare. vou me arrastando ate o quarto e entro embaixo das cobertas, as lagrimas encharcam meu travesseiro. meu monstro. meu pequeno monstro. ligo o computador. coloco uma música para tocar. uma música triste. fico no escuro com a música preenchendo o vazio. as lagrimas não param e eu fico desejando não ter braços. fico desejando não ter tato. viro-me e observo com clareza as sombras dos livros espalhados e empoeirados, quero ler, mas não tenho livros novos com historias novas, só os mesmos, velhos e empoeirados e repetidos. penso em fugir, penso em pegar minha mochila e simplesmente ir embora, deixar tudo pra traz. esquecer tudo e todos, mas não vai adiantar... nada fica no passado e a distancia não muda nada. fico desejando ter amnésia. a música para, coloco a mesma para tocar de novo. meu estomago ronca. como posso pensar em comer numa hora dessas? pego meu celular. são 02h45min. ainda esta cedo. por alguma razão, eu sinto vontade de dançar. continuo deitada e desisto de comer. não quero levantar. minha imaginação flui e as sombras se tornam minha amigas. ficam ao meu redor recolhendo os pedaços mortos da minha pele. sinto vontade de mascar um chiclete. sinto vontade de vomitar. sinto vontade de socar alguém. sinto vontade de morrer. sinto vontade de foder alguém. sinto vontade de correr... correr, sair correndo e só parar quando meus pés virarem duas feridas pulsantes gigantes e cheias pus. a imagem me deu mais vontade de vomitar. ouvi um barulho de tranca, alguém estava tentando entrar, quem!? E por quê? a porta abre. não tem ninguém. minha imaginação. droga! não sei mais... meu estomago ronca, pode ser a fome. levantei. fiquei tonta. levantei rápido demais. fui ate a cozinha que esta um lixo, mas eu não ligo. pego um copo na pia e passo uma água rápida. sirvo-me café com leite e enquanto o esquento no micro-ondas, eu pego uma torrada, abro a gaveta e lá esta ela, reluzente, afiada e mortífera. eu deixo a torrada encima da mesa e a pego com as duas mãos. tento lutar contra, mas não posso. sou levada e nesse desespero em tentar sentir algo e a espremo na minha mão... pequenas e brilhantes gotas de vida escorrem e caem no chão. eu a senti. abri a mão, ela caiu, olhei para o corte e ele sorriu pra mim. lambi. uma lambida para ter certeza. sim, é sim. fecho meu punho, espremo meus olhos lacrimejados e abro minha boca num sorriso aonde um filete de sangue corre fugido dos meus lábios.