domingo, 27 de maio de 2012

maldito estalo.

pauso a música, pois ouço um barulho estranho vindo lá de fora. meu coração bate, mas eu mantenho a calma. tenho que pensar racionalmente. levanto devagar e caminho suavemente a cozinha. meu cérebro pregando um peça. mais uma. abro a geladeira e pego a caixa de suco. eu o tomo na boca. sinto aquele plastico industrial nos lábios enquanto um suco acido e doce corre pela minha língua. limpo a boca com a manga da camiseta e apoio a testa no meu braço. sinto o suor nos meus pelinhos do braço e suspiro. 
"merda." 
não queria lembrar de nada. queria esquecer cada segundo naquele dia. foi uma sequencia tão cruel de passagens arrepiantes que senti pena. não valeu a pena a nunca haverá de valer a pena. pena. a pena. essa peninha tão preciso que escapa dos nossos dedos escorregadios e ambiciosos. 
"merda."
queria afundar. mergulhar um mar de petróleo, morrer, afogada e corroída. aquela massa preta e flamejante que mata a vida ao redor dela. um doença. uma praga. algo que passa e destrói tudo oque passa. pistache. uma nuvem molhada e grudenta. negra. tão profundamente obscuro. não falei mais nada. não tinha mais nada a ser dito. nada mudaria oque aconteceu. tantas memorias. tantas duvidas. tantas indagações. minha visão embaralhou. apoiei na porta, mas cai. meu joelhos levaram o primeiro baque e tentei proteger meu rosto. não consegui. cai lentamente. senti como se o tempo tivesse parado. doeu.  

sábado, 5 de maio de 2012

sonho ruim.

hoje eu sonhei com você. foi bom. mentira. foi horrível. o sonho foi muito real. quando acordei estava com aquela sensação de vazio. é terrível o fato de que você é uma parte preciosa minha. não tenho que te dizer isso. você sabe. sabe até demais. muitas vezes acredito que você se aproveita dessa fraqueza minha. sim, fraqueza. eu fico vulnerável quando se trata de você. uma simples atitude sua muda o meu dia. não sei ficar calada quando falam de você perto mim e sinto ciúmes quando ouço o seu nome sendo pronunciado por outros lábios. idiota. você é idiota, mas eu sou mais. por ouvir atentamente cada palavra sua, me preocupar com você a cada segundo, me perguntar se você se lembra daquelas lembranças boas e se você se importa. não vou disputar você com ninguém. sou muito orgulhosa e muito dissimulada para fingir indiferença. não me leve a mal. sei como isso soa. ressentimento. não, eu não te ressinto. eu te amo. esse é o problema. 

quinta-feira, 3 de maio de 2012

quinta fileira a esquerda.

estou sentada na quinta fileira a esquerda. 
estou calada, como sempre. 
duas meninas conversam na cadeira a minha frente. uma loira e a outra morena. falam sobre uma festa. alguma coisa relacionada ao fato de uma festa que não tocou muito forró. (não considero forró um tipo de música). 
o ônibus esta quieto com exceção das duas meninas a minha frente e a outras duas atrás de mim. cuja a conversa não consigo entender, mas ouço o balbuciar das bocas que formam palavras desconexas. reparei que sempre na quinta parada entram dois amigos conversando em um tom de voz baixo, mas hoje só entrou um. 
calado. com um certo ar depressivo. 
reparo que ele esta inquieto. noto isso pelo constante movimentos com os pés e a mudança de foco no seu olhar. pegou um livro. esta tentando ler, mas sofre a mesma dificuldade minha. o ônibus esta balançando inconstantemente. minha caligrafia, que antes eu tinha orgulho,se tornou garranchos ilegíveis. 
a menina loira na minha frente tenta abrir a janela, sem se incomodar com a chuva que pode molhar a pessoa atrás dela. no caso, eu. tudo bem, ela fechou de novo. provavelmente por que a chuva ficou mais forte. 
é digno de nota o fato das pessoas não conseguirem conter seus sentimentos e sempre expressa-los pela sua face. creio que elas não notam o tanto que fazem isso. reparei, também, que as pessoas que estão levantadas tendem a se expressar mais. consigo ver com o canto do olho uma senhora fazendo uma cara de nojo. do que será que ela sente tanto nojo?