terça-feira, 15 de novembro de 2011

hoje eu te vi. foi estranho. 
não. 
foi diferente. 
você estava diferente e nossa relação mais ainda. 
admito que conforme foi o dia eu senti algo quebrar dentro de mim. acho foi a expectativa. não sei, esperava mais de você. minha mente me enganou. tinha uma visão diferente de você. 
eu quero agradecer. 
não sinto mais nada por você. eu escrevi textos, reli e reli mensagens, perdi noites revivendo momentos, criando situações aonde minhas mãos corriam livres... não sei oque aconteceu. 
você não era oque eu imaginava e eu me senti bem por isso, eu o deixei ir, eu deixei ir algo que nunca tive. fiquei me agarrando a uma ilusão e sofrendo por ela. 
estou rindo desesperadamente por que eu sei que não pode e nunca poderá acontecer nada entre nós. estou livre. finalmente, o deixei ir. você não pode mais me transformar em pedra. 
muito obrigada. 

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

aço inox.

hoje foi um dia duro. várias merdas aconteceram e você me decepcionou. não quero falar... só quero que tudo pare. vou me arrastando ate o quarto e entro embaixo das cobertas, as lagrimas encharcam meu travesseiro. meu monstro. meu pequeno monstro. ligo o computador. coloco uma música para tocar. uma música triste. fico no escuro com a música preenchendo o vazio. as lagrimas não param e eu fico desejando não ter braços. fico desejando não ter tato. viro-me e observo com clareza as sombras dos livros espalhados e empoeirados, quero ler, mas não tenho livros novos com historias novas, só os mesmos, velhos e empoeirados e repetidos. penso em fugir, penso em pegar minha mochila e simplesmente ir embora, deixar tudo pra traz. esquecer tudo e todos, mas não vai adiantar... nada fica no passado e a distancia não muda nada. fico desejando ter amnésia.  a música para, coloco a mesma para tocar de novo. meu estomago ronca. como posso pensar em comer numa hora dessas? pego meu celular. são 02h45min. ainda esta cedo. por alguma razão, eu sinto vontade de dançar. continuo deitada e desisto de comer. não quero levantar. minha imaginação flui e as sombras se tornam minha amigas. ficam ao meu redor recolhendo os pedaços mortos da minha pele. sinto vontade de mascar um chiclete. sinto vontade de vomitar. sinto vontade de socar alguém. sinto vontade de morrer. sinto vontade de foder alguém. sinto vontade de correr... correr, sair correndo e só parar quando meus pés virarem duas feridas pulsantes gigantes e cheias pus. a imagem me deu mais vontade de vomitar. ouvi um barulho de tranca, alguém estava tentando entrar, quem!? E por quê? a porta abre. não tem ninguém. minha imaginação. droga! não sei mais... meu estomago ronca, pode ser a fome. levantei. fiquei tonta. levantei rápido demais. fui ate a cozinha que esta um lixo, mas eu não ligo. pego um copo na pia e passo uma água rápida. sirvo-me café com leite e enquanto o esquento no micro-ondas, eu pego uma torrada, abro a gaveta e lá esta ela, reluzente, afiada e mortífera. eu deixo a torrada encima da mesa e a pego com as duas mãos. tento lutar contra, mas não posso. sou levada e nesse desespero em tentar sentir algo e a espremo na minha mão... pequenas e brilhantes gotas de vida escorrem e caem no chão. eu a senti. abri a mão, ela caiu, olhei para o corte e ele sorriu pra mim. lambi. uma lambida para ter certeza. sim, é sim. fecho meu punho, espremo meus olhos lacrimejados e abro minha boca num sorriso aonde um filete de sangue corre fugido dos meus lábios.

sábado, 5 de novembro de 2011

proibido.

hoje eu pensei muito sobre você. não queria, mas não podia evitar. meus pensamentos ficaram nebulosos e eu não conseguia ver nada a não ser você.
não queria.
não podia.
não posso.
você se tornou proibido. engraçado o jeito que essa palavra torna as coisas mais zombeteiras, mas é verdade. você se tornou errado. proibido. e a culpa é sua. não quero que se sinta mal por isso. fazemos as escolhas e nelas consistem as consequências. você ficou proibido. não posso mais falar com você sem sentir um certo receio com a minha próxima frase, tenho que medir minhas palavras e brincadeiras, não posso mais toca-lo nem olhar diretamente nos seus olhos... tu se tornaste como uma medusa, que se eu cruzar muito a linha de segurança e arriscar olhar para você, vou acabar virando pedra. fria e dura. queria gostar de você menos, assim não seria tão difícil essa mudança. o ser humano veio com a grande capacidade de se adaptar, mas não sei se quero me adaptar a esse novo você com essa muralha ainda maior desde quando a última vez que o vi. não sei como lidar com isso. não sei como lidar com você. estou com medo de chegar muito perto e você me transformar em pedra. 

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

eu só continuo andando.

queria escrever sobre você, mas minhas mãos doem e as palavras já não conseguem mais formar frases e as frases já não fazem mais sentindo. estou deitada e o notebook queima minhas coxas, deixo arder, tenho preguiça e nenhuma força para movê-lo. meu pescoço dói e apesar de eu acreditar que já deveria ter me acostumado com a dor recorrente que nele ocorre, ainda dói e eu ainda espremo meus olhos enquanto tento fazê-lo estalar. é de madrugada, mas eu escuto barulho vindo da cozinha, lanches pós-meia noite. sinto cheiro de cigarro entrar pela minha janela junto com o vento e sinto vontade de fumar, mas não posso. sinto a ironia de adorar ficar sozinha, mas não suportar ficar comigo mesma. dentes sobrepõem em um sorriso repuxado e sinistro. estou sem internet, então uso o word e fico na dúvida se devo posta-lo ou deleta-lo. nunca sei se esta bom o suficiente, e quando há internet eu me deixo levar pelas ondas desse mar onde perdi minha prancha e que começou a me puxar para baixo, enquanto luto para ficar na superfície ele me leva para aonde deseja e eu gosto.

minha bexiga aperta e eu sinto um formigamento que fazem minhas coxas se aproximarem. preciso urinar. não quero levantar. vou segurar, na esperança que essa vontade passe. aumento o som da música, Right Through You de Alanis Morissete grita nos meus tímpanos. encosto minha cabeça na parede e fecho meus olhos por alguns minutos. a música parou. o mundo se calou. eu gosto assim.
às vezes quando ando na rua eu escuto chamando meu nome, mas quando olho não tem ninguém lá. pergunto-me oque escuto, quem me chama e se eu não me virar será que continuará chamando, será que vira até mim e me puxará pelo ombro...? não sei. mas agora eu não olho mais para traz e fico na esperança de me puxarem pelo ombro, mas nunca acontece e nada nunca me puxa, então eu só continuo andando.

domingo, 30 de outubro de 2011

maldito tornozelo.

acordei, mas não queria abrir os olhos.
estava cansado.
mais cansado do que o habitual.
meu corpo doía e eu sentia meu rosto inchado.

“maldito jimmy! aquele rato! na próxima vez eu acabarei com ele... filho da puta.”

falei baixo, quase sussurrando, mas ainda sim eu sentia minha garganta arranhar.
engoli.
senti sangue.
estava bebendo sangue.
comecei, mentalmente, a procurar os lugares onde a dor era mais forte. queria ver se tinha quebrado alguma coisa. meu tornozelo estava me matando, mas acho que não o tinha quebrado. só deslocado ou só torcido. não importa. aquela porra doía.
meus braços também doíam, meu estomago estava retorcido, minha cabeça explodia e meu bafo era uma mistura de sangue, cigarros, uísque e vomito. estava com fome e com vontade de vomitar. lembrei-me de sandy me oferecendo um hambúrguer. droga! devia ter aceitado. mas naquela hora eu não sentia fome e não tinha a menor ideia de que jimmy estava me preparando uma emboscada. aquele filho da puta! foi muita covardia dele ter vindo com quatro pra cima de mim. jimmy era um puto covarde e quando eu for acabar com ele, não vou ser covarde. mano a mano. e vou deixar aquele rostinho fodido mais fodido ainda.

precisava mijar.
respirei fundo.
sentei.
apoiei-me na cadeira que tinha do lado da cama.
respirei fundo.
levantei.
comecei a tossir sangue.
cuspi.
apoiei na parede e fui pulando em um pé só.

“maldito tornozelo!”

cheguei ao banheiro.
olhei-me no espelho.
estava totalmente e completamente fodido.
sorri.
três dentes haviam sumido. 

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

bordel.

queria sair dali.
queria poder respirar algo que não fosse a fumaça dos cigarros.  ela olhava para mim e ria. ria de algo que eu não estava achando engraçado. ela podia ser bonita, talvez, com menos maquiagem e menos fumaça. 
olhei em volta, não reconheci.
olhei para o chão. olhei para a minha mão e notei um pequeno corte. eu não o sentia. 
olhei em volta, vi muitos rostos, muitos cigarros, muita bebida, muitos decotes e muitas carteiras vazias.
bordel.
é, agora sei onde estou, mas eu não sei aonde estou. tentei levantar, mas a mulher me segurou pelo braço e disse alguma coisa que não consegui entender por causa da música alta. puxei meu braço com mais força, mas ela não soltou. só olhou pra mim. séria. entendi o que ela tinha dito, dinheiro. claro, dinheiro. era mesmo um bordel no final das contas, não poderia esperar menos. coloquei minha mão no bolso, tirei minha carteira e a entreguei uma nota de cem e outras duas de cinquenta. ela pegou, contou, sorriu e me devolveu uma das notas de cinquenta. 
enquanto ela guardava o dinheiro no vasto decote, ela olhou para mim e falou algo que eu consegui ler no seus lábios vermelhos. 
"volte sempre."
ela saiu e eu observei o seu andar rebolativo.
coloquei o dinheiro no bolso e quando saia um menino, de uns quartoze anos, me entregou um casaco. vesti o casaco e dei pra ele a nota de cinquenta rejeitada pela mulher dos lábios vermelhos. 
ele sorriu.
abri a porta, o frio me acolheu. tudo estava branco e úmido. neve. andei mais dois passos e dei de cara com um pássaro. morto. congelado. o observei por mais um tempo e notei uma certa calma e passividade em seus pequenos olhos. como se estivesse tendo um sonho bom. coloquei as mãos nos bolsos e sai andando e pensando. abri a boca e sussurrei comigo mesmo.
"quero ter uma expressão como essa algum dia."

terça-feira, 31 de maio de 2011

...

eu durmo. 

pássaros cortam com suas asas rasgadas o céu escuro.
vivo no escuro. que morram no escuro como eu.

eu durmo.

beijos no escuro.  desejos de morte.
covardia incerta. o que dizer?
sem palavras. 
descoco da morte em me seguir como uma mosca a sujeira.

eu durmo.

espelhos nos quebram em pedaços que cortam e dilaceram corações esperançosos.
parem de seguir aquilo. 
sejam fortes e sem piedade. 
corram para longe. se protejam em seus quartos acolchoados. 
loucura. medo. agonia. 
corram...


sexta-feira, 6 de maio de 2011