estou sentada na quinta fileira a esquerda.
estou calada, como sempre.
duas meninas conversam na cadeira a minha frente. uma loira e a outra morena. falam sobre uma festa. alguma coisa relacionada ao fato de uma festa que não tocou muito forró. (não considero forró um tipo de música).
o ônibus esta quieto com exceção das duas meninas a minha frente e a outras duas atrás de mim. cuja a conversa não consigo entender, mas ouço o balbuciar das bocas que formam palavras desconexas. reparei que sempre na quinta parada entram dois amigos conversando em um tom de voz baixo, mas hoje só entrou um.
calado. com um certo ar depressivo.
reparo que ele esta inquieto. noto isso pelo constante movimentos com os pés e a mudança de foco no seu olhar. pegou um livro. esta tentando ler, mas sofre a mesma dificuldade minha. o ônibus esta balançando inconstantemente. minha caligrafia, que antes eu tinha orgulho,se tornou garranchos ilegíveis.
a menina loira na minha frente tenta abrir a janela, sem se incomodar com a chuva que pode molhar a pessoa atrás dela. no caso, eu. tudo bem, ela fechou de novo. provavelmente por que a chuva ficou mais forte.
é digno de nota o fato das pessoas não conseguirem conter seus sentimentos e sempre expressa-los pela sua face. creio que elas não notam o tanto que fazem isso. reparei, também, que as pessoas que estão levantadas tendem a se expressar mais. consigo ver com o canto do olho uma senhora fazendo uma cara de nojo. do que será que ela sente tanto nojo?
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