queria escrever sobre você, mas minhas mãos doem e as palavras já não conseguem mais formar frases e as frases já não fazem mais sentindo. estou deitada e o notebook queima minhas coxas, deixo arder, tenho preguiça e nenhuma força para movê-lo. meu pescoço dói e apesar de eu acreditar que já deveria ter me acostumado com a dor recorrente que nele ocorre, ainda dói e eu ainda espremo meus olhos enquanto tento fazê-lo estalar. é de madrugada, mas eu escuto barulho vindo da cozinha, lanches pós-meia noite. sinto cheiro de cigarro entrar pela minha janela junto com o vento e sinto vontade de fumar, mas não posso. sinto a ironia de adorar ficar sozinha, mas não suportar ficar comigo mesma. dentes sobrepõem em um sorriso repuxado e sinistro. estou sem internet, então uso o word e fico na dúvida se devo posta-lo ou deleta-lo. nunca sei se esta bom o suficiente, e quando há internet eu me deixo levar pelas ondas desse mar onde perdi minha prancha e que começou a me puxar para baixo, enquanto luto para ficar na superfície ele me leva para aonde deseja e eu gosto.
minha bexiga aperta e eu sinto um formigamento que fazem minhas coxas se aproximarem. preciso urinar. não quero levantar. vou segurar, na esperança que essa vontade passe. aumento o som da música, Right Through You de Alanis Morissete grita nos meus tímpanos. encosto minha cabeça na parede e fecho meus olhos por alguns minutos. a música parou. o mundo se calou. eu gosto assim.
às vezes quando ando na rua eu escuto chamando meu nome, mas quando olho não tem ninguém lá. pergunto-me oque escuto, quem me chama e se eu não me virar será que continuará chamando, será que vira até mim e me puxará pelo ombro...? não sei. mas agora eu não olho mais para traz e fico na esperança de me puxarem pelo ombro, mas nunca acontece e nada nunca me puxa, então eu só continuo andando.
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